A sexta-feira nasceu melancólica, mas, à medida que a viagem avançava, vinha o deslumbramento.
Nessa viagem às cidades históricas de Mariana, Congonhas do Campo e Ouro Preto, entre calçamento pé-de-moleque, montanhas e imagens, os alunos descobriram retalhos da história, detalhes, curiosidades, a marca pessoal daquelas cidades .
Aprenderam a valorizar o requinte, a enxergar sutilezas e nuanças de culturas e estilos distintos. Ampliaram horizontes e experimentaram uma verdadeira educação do olhar.
Vendo os adolescentes subindo e descendo, alegremente, as eternas ladeiras, desenhando, no ar, os gestos da nossa crença antiqüíssima no ser em transformação, confessamos nosso espanto. Havia perfume, havia luz sobre os telhados, havia ave, havia riso e choro, havia o jogo do agarra, havia travesseiros no ar, camas pendentes, havia desejo, havia saltitar na chuva fina.
Estávamos diante de mãos que tudo queriam, de cores nas mochilas, de gritos de alegria. Todos alvoroçados: a voz, os gestos, as pernas. Quando passavam, eram bambus ao vento, luas andantes, mutáveis.
Iam andando... Iam crescendo...
A misteriosa magia sensorial que há por trás da verdadeira arte barroca fez com que eles curtissem o clímax mais trágico, fizessem gestos mais simples e mais transcendentais. Às vezes, não perguntavam nada; por outras, falavam e interrogavam.
Tudo deu certo. Criamos uma irmandade, um território, um país em comunhão. A felicidade foi compartilhada.
Agora, procuraremos um lugar para nos sentar, para ver as fotos, para encontrar quem nós conhecemos mais de perto, para invocar o humor e a poesia.Nós estamos com o mundo nas mãos.
Nossas vidas foram multiplicadas.
Muito obrigados.
Professores Marineida, Julia e Paulo Ricardo Congonhas, outubro / 2006
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